Bola de Berlim: o doce que sabe ao verão português

Em resumo: A bola de Berlim é um bolo frito português aberto ao meio e recheado com creme de ovos, vendido no verão nas praias, da Costa da Caparica à Ericeira. Inspira-se no Berliner alemão, chegado a Portugal durante a Segunda Guerra Mundial com refugiados judeus; os portugueses substituíram a compota por um creme de gemas de ovos.
« Bolas, olha as bolinhas de Berlim! » Nas praias da Costa da Caparica ou da Ericeira, este pregão acompanha o verão português há gerações. Vem de um vendedor ambulante, cesto de verga apoiado na anca, que ziguezagueia entre as toalhas para oferecer bolas de massa dourada, abertas ao meio e generosamente recheadas de creme ainda fresco. Dá-se uma dentada, o creme transborda um pouco para os dedos, a areia cola-se um pouco às mãos, e é exatamente assim que se deve comer.
A bola de Berlim deve o nome a uma piscadela de olho histórica: inspira-se no Berliner alemão, esse bolo recheado cuja receita chegou a Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, pela mão de refugiados judeus. Mas os portugueses apropriaram-se dela à sua maneira, substituindo a compota por um creme de ovos aveludado, mais próximo do gosto nacional pelos doces de gemas, a mesma família do pastel de nata ou do toucinho do céu. Resultado: um doce que já nada tem de alemão a não ser o nome, e que se tornou um símbolo do verão tão identitário como a sardinha assada ou a melancia cortada em fatias grossas.
O que impressiona neste ritual é a sua simplicidade radical. Nada de loja, nada de balcão: apenas um cesto, uma praia e uma fila de veraneantes em fato de banho à espera da sua vez. Julho, em Portugal, é também o mês em que as bancas do mercado transbordam de figos cheios de sol e de ameixas bem maduras, os frutos que reencontramos mais tarde na estação, transformados em compotas e recheios para os doces do fim do verão. Esta generosidade do calendário português, em que cada estação tem a sua própria gulodice para oferecer, está no centro do que tentamos contar na Wooly.
Não temos praia em Bruxelas, nem vendedores ambulantes nas calçadas de Stockel ou de Uccle. Mas o espírito da bola de Berlim, este creme de ovos generoso, esta massa ainda morna que estala ligeiramente antes de ceder, é exatamente o que procuramos preservar nos nossos doces. Todos os dias, os nossos pasteleiros trabalham a mesma família de cremes que recheia os cestos das praias portuguesas, com o mesmo gesto artesanal: cozedura lenta, dourado certo, recheio generoso mas nunca enjoativo. É uma forma de trazer um pouco do litoral português para as nossas quatro lojas de Bruxelas e Waterloo, sem precisar de areia entre os dedos.
Se o verão lhe der vontade de um sabor a férias sem apanhar o avião, é o momento certo para nos visitar em Stockel, Etterbeek (Tongres), Uccle ou Waterloo. Os nossos balcões não têm vista para o Atlântico, mas a primeira dentada parece-se muito com ela.
Fontes: Observador, « Bolas com ou sem creme e caras. Muito caras »; Wikipédia (pt), « Bola de Berlim ».
Foto: mapa mundi - CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
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